Sempre fui uma gata de poucas aventuras... Habituada como eu estou em ficar sempre no meu quartinho, pelo qual comunico com o meu mundo mesmo através deste modo, sempre que saio para esse imenso mundo, saio de um modo assustado, e sempre sorrateira, a rastejar quase, pronta para qualquer eventualidade... Sinto receio desse grande "quarto" que é o mundo lá fora... Sei que posso ver outros como eu, que andam por aí à sua vontade, livres... Ou pelo menos parecem serem livres, pois nem sempre são pois viver sozinhos por aí por esse tão grande quarto sem muitas condições não deve ser muito bom...


     Por isso é que mesmo assim eu ainda gosto de estar no meu quartinho, com a minha dona... E ainda bem que a tenho...


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     E a minha dona sempre me tratou da melhor maneira... Com ela sinto-me uma rainha, ou melhor, como ela me chama, uma princesa, mesmo quando estou assim mais quente, como tenho andado de novo ultimamente... A miar e a miar por aí... Ela bem que diz para eu me calar, mas eu não consigo... é mais forte que eu ...


     Mas fora esse pequeno precalço, as coisas no meu quartinho são muito melhores que no grande quarto que é esse mundo... E é do meu quartinho que tenho emitido também estas minhas opiniões, estas minhas escritas...



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     Até parece que por esta fotografia última, que apenas penso com a vida... mas também não faço muito mais coisas, pois acordo todos os dias, bebo a minha água da torneira, como alguma coisa, e volto para o descanso dos deuses, por vezes encostada à janela, olhando o mundo lá para fora... E penso na vida, no mundo lá fora...  Muitas coisas se passam por esse mundo incompreensível para os meus olhos e para a minha cabeça. Já vos falei do descuido do homem pelo seu mundo mas agora não vos vou falar disso.


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     Falo-vos antes de um outro problema que eu vejo acontecer cada vez que eu chego a este mês, quando olho para lá para  rua do meu quarto. Ainda me lembro, quando a minha dona me adoptou, lá naquela loja, quando eu estava com as minhas irmãs, por lá abandonadas, o que o meu dono lhe disse... " - Olha que se pensarmos em ter um animal em casa, temos mesmo que pensar em lhe dar todo o tratamento que ele tem direito... E o seu tratamento implica sacrifícios...".


     Eu era muito novinha nesse tempo e não sabia bem o que isso significa... Só aprendi mais tarde ao saber que os meus donos tinham sempre uma ligeira dificuldade em poder marcar umas férias dos trabalhos deles, mas nunca entendia porque... Pois não marcavam para muito longe...   Sei agora que a dificuldade deles era motivada por mim, principalmente... " - E a Minuche, como fica? E será que a podemos levar ? E ela poderá se habituar com os teus pais?" Ouvia isto... E senti que apesar de tudo, era e soou muito amada e querida... pois agora olho para o outro lado da janela do meu quartinho, quentinho e com todo o conforto, e vejo amigos meus, outros gatos, ou mesmo outros cães, a andar por aí pela rua... abandonados... porque estamos em época de férias... É tão duro sentirmos que deixamos de ser amados pelos nossos donos... Por acaso nesse ponto eu não tenho nem terei razão de queixa, pois os meus donos fazem de tudo para que eu fique sempre da melhor maneira e que tenha sempre o melhor tratamento... Deve ser por isso que eles também ainda não tiveram assim muitas férias...


     E por isso eu peço a vocês, meus leitores do meu quartinho... Não abandonem os meus amigos animais... eles também tem um coração, sentimentos e carinho... muito carinho para dar... pois apesar de podermos ser fofinhos e queridinhos... não somos um peluche para usar e por de lado... Temos uma vida própria...


 


 


 


publicado por Shadow_Fighter às 12:39